Puella Análise: Capitão Blood, uma análise livro e filme


 Nos últimos anos o gênero dos Piratas ficou bastante conhecido pelas pessoas por meio da franquia Piratas do Caribe com o Capitão Jack Sparrow. Muitos curtem, mas no meu caso, por alguma razão, eu nunca me senti cativada por Jack Sparrow, embora eu goste muito de Johnny Depp como ator em outros filmes (principalmente os que eu assisti dele na infância). Das poucas vezes em que eu tentei assisti os filmes da franquia ou eu largava de lado ou simplesmente dormia (literalmente).

Para se ter uma ideia, eu assisti ao filme A Ilha da garganta cortada (1995) que não é tido como um sucesso, mas que eu gostei, em que a protagonista é uma capitã de um navio, e eu achei a história  mais legal que a de Piratas do Caribe. Outros que eu gosto são os filmes baseados na obra de Peter Pan, desde aquele clássico da Disney (que eu via com avidez achando que em algum momento eu poderia voar com Peter os outros), aquela outra versão com Robin Willians, Hook (1991) também conhecida com A volta do Capitão Gancho e a versão de 2004, que de longe é a que eu mais gosto, e lá o Gancho é interpretado por um ator muito charmoso...  anos mais tarde li o texto integral da obra Peter Pan de J. M. Barrie e me encantei com o Capitão Gancho, muito diferente da versão caricata da Disney. 

Enfim, o Capitão James Hook (ou Gancho) era meu arquétipo-mor de um pirata até então (isso até Peter Blood surgir na minha vida literária). 

Talvez por isso eu não tenha curtido Jack Sparrow, mas não é só isso, Piratas do Caribe tem também uma narrativa muito enrolada e cheia de coisas confusas que não me davam vontade de se interessar pela trama, sem falar que o Jack nem era o protagonista, e sim o tal Will Turner que nas palavras da minha irmã, era um chato. Outro problema é o fato de ser uma franquia extensa (não à toa, são seis filmes ou sete... sei lá)... mas isso é uma questão de gosto, eu prefeiro tramas curtas, redondas e fechadinhas. O que explica por exemplo o fato de eu não curtir séries...

Mas não é sobre Piratas do Caribe ou Peter Pan que eu quero falar... 

Na verdade quero analisar outra obra do gênero, e é aqui que chegamos em Capitão Blood.

  


Capitão Blood é uma obra escrita por Rafael Sabatini (que eu descobri depois que é uma espécie de rei desse gênero pirata/aventura) em 1922 e que foi a obra que o deixou muito famoso. Tanto que mais tarde foi adaptada para o cinema mudo em 1924. Porém a adaptação mais famosa dessa obra é o filme icônico de 1935 que lançou ao estrelato os jovens Errol Flynn e Olívia de Havilland (até então desconhecidos).

Aqui vou falar do livro e traçar o paralelo com o filme, que foi que me fez ir atrás desta jóia.

Sim, Capitão Blood é muito bom, principalmente no livro... Peter Blood é incrivelmente carismático. Não tem como não se apaixonar por ele, e que homem inteligente!

A história tem aquele elemento gostoso de reviravoltas aonde após sofrer aquele baque horrível o protagonista dá aquela volta por cima em todo estilo, e aqui, isso é uma verdadeira delícia.

Para resumir a história, temos  a saga do Dr. Peter Blood, um médico irlandês que vivia sossegadamente em Brigdewater, na Inglaterra (fumando cachimbo e cuidando de seus gerânios) que ao socorrer um rebelde ferido é preso e condenado injustamente a trabalhar como escravo por 10 anos nas plantações de canaviais de Port Royal (que aliás é a mesma cidade em Piratas do Caribe...), na Jamaica. Lá ele comprado (no ato de salvá-lo de um comprador pior) pela jovem Arabella Bishop (o interesse amoroso de Blood, e sua bússola moral) sobrinha de um tirânico e cruel coronel. Sabendo de suas habilidades como médico, ele passa a tratar a gota do governador da ilha, que o torna seu médico oficial.

Mas durante a história, Peter e os outros prisioneiros planejam uma fuga, e graças a uma situação oportuna em que piratas espanhóis atacam Port Royal, eles fogem o tomam o navio para eles, e a partir daí, ele passa a se tornar Capitão Blood, o terror das caraibas...

O livro então narra toda a sua odisseia. E, bem traçando um paralelo entre o livro e o filme de 1935 (apesar de algumas mudanças desse último, mas que casam muito bem para a sua narrativa), ambos entram naquele caso em que tanto o livro quanto o filme são um ótimos. 

Sobre o filme Capitão Blood de 1935...

Peter Blood (Errol Flynn) e Arabella Bishop (Olivia de Havilland)
 


Vi os primeiros 2 minutos num vídeo aleatório do YouTube, e nossa... o jogo rápido de diálogos inteligentes me chamou a atenção, algo como: eu, preciso, ver, esse, filme.

Levando em conta a queda que os filmes atuais vem sofrendo em nome do identitarismo por identitarismo, ideologias e políticas progressistas ao invés de uma boa história descompromissada, fica meio óbvio como eu fiquei super empolgada com um filme preto e branco de 1935.

Preto e branco aqui não é um demérito, muito pelo contrário, parece até um aspecto essencial da obra (digo isso porque vi a versão colorizada, e vista dela me incomodou muito, então nesse caso, preto e branco mil vezes). 

Quanto ao ano, 1935, o filme é muito bem feito para sua época. A narrativa, o elenco, as batalhas entre os navios e a direção são conduzidos com muita maestria. Michael Curtiz é incrível, tanto que assisti mais alguns de seus filmes.

Sobre Personagens (tanto do livro quanto do filme)

Dr. Peter Blood/ Capitão Blood


Bom, nem preciso dizer que é o melhor personagem do livro, e sem dúvida um dos piratas mais carismáticos que eu já vi, enfia fácil Jack Sparrow no bolso, pelo menos para mim. Médico e espadachim, além de brilhante estrategista. Sem falar que ele é o tipo de homem que eu queria ter para me casar. Dr. Peter Blood é um homem de boas, sossegado, de língua afiada e respostas desconcertantes. Um cavalheiro, tanto que mesmo sendo pirata leva a risca algumas cundutas em seu navio (como por exemplo não aprisionar ou molestar mulheres). Heróico e muito íntegro, o oposto do que a sociedade atual vende.... no livro ele é um irlandes de pele bronzeada (graças aos anos no mar quando jovem) com cabelos cacheados escuros, sobrancelhas negras e incríveis e penetrantes olhos azuís, na minha leitura: um Homem belíssimo. No filme, ele é interpretado por Errol Flynn (que é loiro, mas o preto e branco caga para isso).... a, Errol... o que posso dizer sobre este éspecime? Que ele é de longe um dos homens mais bonitos que eu já vi em filmes, de um carisma e magnetismo (sei lá como explicar isso) que carrega o filme com segurança (apesar de ser seu primeiro protagonista), se tornou um dos meus crushs fácil, fácil. Foi rei dos filmes de capa e espada (ou Swashbucklers, no inglês), heróico, altivo, viril e romântico nas telas com seus personagens nas telas, embora na vida real ele tenha sido um cafa, ainda sim muito charmoso (e porque não, um destruidor de ovários)... mas por ser esse colírio, bem, eu dou um desconto sr. Flynn, pois neste filme aos 26 aninhos ele era um pedaço literal de mal caminho.

Arabella Bishop

No livro ela não é uma personagem principal, mas ela tem sua relevância, afinal é um livro com enfoque em piratas (o que pode incomodar meninas "empoderadas"), já que ela é uma donzela. Arabella é descrita com o que podemos chamar de doçura angelical, mas ao mesmo tempo ela tem um ar de menino (leia-se menina criada pelo pai, já que na história ela perdeu sua mãe quando pequena e logo depois o pai, ficando então com o tio) pois tem opiniões fortes, monta a cavalo e demosntra ter um censo muito forte de justiça, embora às vezes ela aja como uma menina mimada. Ela se apaixona por Peter Blood, e durante a história se vê em conflito com seus sentimentos por ele ter se tornando um pirata. Pode não parecer, mas ela exerce uma influência muito forte no héroi, funcionando como uma bússula moral, que impede que Blood se entregue ao mal completamente. No filme ela é interpretada pela Olívia de Havilland, belíssima. Ela estrelou ao todo 8 filmes ao lado de Errol, tamanha a química que eles tinham... a se Errol não fosse um cafa... talvez em algum universo alternativo esse dois teriam se casado de verdade... mas Olívia era uma menina esperta, não atoa teve uma vida e carreira mais longeva que Flynn...



Jeremy Pitt e os outros amigos piratas de Peter



Jeremy é o amigo de Peter, demosntra uma adimiração muito forte por ele, como se Blood fosse seu irmão mais velho. Temos também Olge, reverendo que no filme sempre tem versículos chave para cada situação. Hagtorphe e Wolverstone e os outros dão um suporte muito legal tanto no livro quando no filme. 

Coronel Bishop

O tia de Arabella, um homem cruel e sem coração. Blood só não arranca a cabeça dele fora por causa de Arabella. O ator que o faz no filme consegue ter uma expressão e olhar de homem ruim... muito bem feito. 

Capitão Levasseur

No livro ele é um dos vilões que Blood enfrenta ao longo da leitura, porém no filme ele ganha mais espaço e bem, a caraterização do ator que o faz (Basil Rathbone) servem de referência para o estilo do Capitão Gancho da Disney. A cena de duelo entre Blood e o pirata francês é muito bem feita, umas das melhores partes do filme, já que no livro ela é mais rápida e um pouco diferente.


Além de Levasseur e Coronel Bishop, no livro Blood ainda efrenta outros inimigos  e ainda um rival pelo coração de Arabella mas que não aparecem no filme. Por um lado isso não compromete o a qualidade do longa, pois a essência da obra continua presente no mesmo. 


Ficha técnica:

Livro

Título: Capitão Blood

Autor: Rafael Sabatini

Ano: 1922

Edição: 2022 pela editora Wish em comemoração aos exatos 100 de publicação da obra.


Sobre o livro: capa dura, texto bem diagramado e bem acabado.




Filme:

Título: Capitão Blood (Waner Studios)  Ano: 1935

Direção: Michael Curtiz

Elenco: Errol Flynn, Olivia de Havilland, Basil Rathbone, Ross Alexander e elenco.

Trailer do Filme de 1935:



Temos aqui um caso onde tanto a obra quanto a sua adptação são boas a sua maneira, e covenhamos, nem sempre isso acontece.

Enfim, tanto o livro quanto o filme são mais do que recomendados.





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